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TÉCNICA PARA LAVAR OS PÁSSAROS

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TÉCNICA PARA LAVAR OS PÁSSAROS

Mensagem por Robert Hebert em Sex Set 18, 2015 12:44 pm

TÉCNICA PARA LAVAR OS PÁSSAROS

PREPARAÇÃO PARA CONCURSO E EXPOSIÇÃO

Giorgio de Baseggio
Revista Pássaros Nº 23/2000

Permitir um banho regular, durante todo o ano aos pássaros de gaiola e de viveiros, é uma norma que deve seguir cada bom criador. Em teoria necessita-se colocar em condições para que todos os pássaros criados possam efetuar os seus banhos diários; existem banheiras apropriadas, as quais devem ser bem colocadas bem limpas e desinfetadas com soluções aquosas de sais quaternários de amônio. Deve-se observar preventivamente a não utilização de substâncias ADERENTES no líquido do banho, ou seja, substâncias que venham juntar-se para favorecer a adesão às paredes, gaiolas etc; estes ADERENTES são danosos aos pássaros porque cobrem a plumagem com uma "película" e são irritantes aos olhos. Os produtos contendo sais quaternários de amônio devem ser utilizados nas dosagens indicadas pelos produtores (normalmente 1 colher de café para 1 litro de água de banho: para ação desinfetante e antimicótica usa-se 1 colher das de sobremesa por litro de água e esta dosagem é contra-indicada para banho ou limpeza dos pássaros.

Um banho regular, além de permitir uma boa manutenção da saúde dos pássaros. Os pássaros gostam de banhar-se diariamente também durante o outono e o inverno, em água fria (mas não gelada), canários de cor e canários de todas as raças e todos os indígenas, a maioria dos exóticos, se saudáveis e bem alojados aceitam muito bem o banho diário ou em dias alternados. Entretanto, as raças delicadas, algumas espécies de exóticos granívoros e insetívoros podem banhar-se em intervalos mais longos, em ambientes secos, totalmente sem correntes de ar, com água ligeiramente morna (sobretudo para os Giber Itálicos e o Giboso Espanhol, que não tem penas em certas partes do corpo) nas estações mais frias do ano.

Para alguns pássaros, mesmo oferecendo-se banheiras com água, há uma recusa de imergirem na água; isto é normal para certas espécies (ex: Melopsittacus undulatus que preferem que esfreguem as penas contra verduras molhadas), mas anormal para certos canários.

Para estes útimos não resta alternativa que efetuar-se uma boa borrifação, sem exageros, através de alguns borrifos que são adquiridos em floricultura; dissolve-se uma colher das de café de sais quaternários de amônio para cada litro de água.

Seja quando se coloca as banheiras ou quando se usa a borrifação colocando-se o pássaro em uma gaiola e realizar-se a operação fora do local da criação, devido que qualquer tipo de borrifação aumenta o percentual de umidade do ar e isto é um fato negativo em um local de criação: de fato, quanto mais se desenvolvem certas formas de doenças bacterianas e fúngicas.

É óbvio que a gaiola contendo os pássaros que tomam banho (através da banheira ou da borrifação) deve ser bem limpa, pois de outro modo a plumagem se sujaria e isto é um fato negativo, sobretudo para os pásaros que devem ir para concurso ou exposição.

O fundo da gaiola ou a bandeja deve ser coberto por papel limpo do tipo absorvente e os arames devem ser bem zincados e esmaltados (a ferrugem suja a plumagem).

OS únicos períodos nos quais convém se evitar a borrifação são: durante o período de reprodução (a borrifação pode espantar a fêmea que pode interromper o choco ou alimentação de filhotes, ou descondicionar excessivamente os reprodutores, notoriamente mais ansiosos e medrosos se confrontando aos períodos não reprodutivos, que podem em casos extremos, também parar o ciclo reprodutivo devido ao descondicionamento hormonal; esta última situação é mais freqüente nas espécies silvestre ou ainda não bem adaptadas à vida no estado de cativeiro) e durante o período da muda, pelo perigo de resfriamento.

Banhos ou borrifações devem ser feitos sempre antes das 15 horas para evitar que os pássaros durmam molhados ou úmidos, pelo perigo de resfriamento.


Como lavar os pássaros que serão expostos em concurso ou exposição:

A lavagem das penas constitui-se um trabalho um tanto quanto delicado, porque o corpo do pássaro é muito sensível a cada tipo de manuseio e, em cada caso, não deve tê-los muito apertados na mão.

Lembremo-nos que sempre que pegamos um pássaro na mão, ele sofre um stress mais ou menos sério.

Portanto a “lavagem manual” é uma operação que se faz somente para espécies ou raças mais domesticadas ou mais letárgicas (muitas raças de canários de forma e postura lisis e frisados habituados ao contato humano etc.); embora para os canários de cor e raças, sejam indígenas ou exóticas, aconselha-se evitar a captura difícil e o trabalhoso banho a mão; muito melhor oferecer-se a banheira ou borrifar-se.


Dois grupos de canários e alguns conselhos:

CANÁRIOS que devem ter a PLUMAGEM FRISADA;

CANÁRIOS que devem ter a PLUMAGEM VAPOROSA.

Esta subdivisão, orientativa para os criadores, torna-se necessária para metodologia da “lavagem manual” a ser descritiva porque certos ingredientes do banho favorecem ou a uma plumagem aderente e sedosa ou uma plumagem fofa e luzente. Assim, por exemplo, um SCOTCH não pode ser lavado com um ingrediente que favoreça a fofura nem, pelo contrário, um NORWICH pode ser lavado com um ingrediente que torna a plumagem aderente. O criador que pela primeira vez prepara a “lavagem manual” dos próprios pássaros, deve antes praticar lavando outros pássaros que não irão para o concurso ou exposição.

Desta forma, se os primeiros resultados da lavagem não forem satisfatórios (devido a eventuais erros na “técnica do banho”) pode-se pesquisar as causas negativas que provocaram o resultado negativo. Aos poucos, com a prática, seguindo atentamente a metodologia a ser citada, aplicando durante a operação a devida cautela na lavagem das pequenas penas, o criador experiente irá obter resultados satisfatórios. Aí então poderá aplicar a correta técnica também nos preciosos exemplares que irão para o concurso e para exposição. Lembrar-se sempre que um pássaro lavado recentemente pode manchar facilmente a própria plumagem (daí a necessidade de aloja-los em lugares bem limpos e com arames sem ferrugem).


Preparos e utensílios:

Quando se prepara os pássaros que devem ser expostos, o criador não só deverá preventivamente adestrar-lhes a exibirem-se sem temor, mas deverá certificar-se que a plumagem seja imaculada, sem penas sujas especialmente em volta do pescoço e na cauda, partes da plumagem que se sujam mais facilmente.

Normalmente a “lavagem manual” é feita uma semana antes do dia do concurso ou exposição.


Para lavar os pássaros deve-se preventivamente munir-se dos seguintes preparos:

3 ou 4 recipientes de ½ litro de água, mas o ideal seria em água corrente em filete e morna se possível;
Um shampoo neutro para criança, tipo que não irrite os olhos (ex: “Johnson”);
Uma garrafa de vinagre de maçã de boa marca;
Um recipiente contendo glicerina;
Um pincel de barba de pêlos muito fofos ( melhor dois pincéis) e uma escova de dentes macia em forma de triângulo, para lavar a cabeça;
Um recipiente contendo, bem fixado, sabão neutro de boa marca;
Papel toalha bem absorvente;
Uma esponja natural, muito macia (não de plástico);
Alguns cotonetes (dos utilizados para limpeza de ouvidos humanos).


Além disso é necessário secar-se a plumagem e para tanto pode-se usar:

Uma fonte de calor (observar para não haver alterações quanto a oxigenação) ou um local (diferente do de criação) bem quente, com temperatura acima de 230 C.

E agora deve-se ter PRECISÃO, PROTEÇÃO e DELICADEZA.

Com estes “ingredientes”, uma boa prática conferirá gradualmente aquela experiência que permitirá lavar, em uma hora, uma dúzia de pássaros para concurso ou exposição.


Procedimento:

A gaiola-hospital não permite, por problema de espaço, secagem de dezenas de pássaros. Portanto, para aqueles que podem utiliza-la o número de pássaros deverá ser limitado.

Pode ser utilizado uma voadeira contendo duas lâmpadas, uma de 150 watts e outra de 60 watts, que seja espelhada na parte de baixo, por dentro da voadeira na parte superior uma de cada lado. Colocar 4 poleiros 10 cm acima da grade, a voadeira deve estar coberta com pano em todos os lados e a aprte de cima, deixando apenas uma abertura na porta da voadeira. Os pássaros não devem ser retirados totalmente secos da gaiola, porque assim a plumagem fica mais perfeita.

Um local quente (bem fechado, para evitar qualquer perigo de corrente de ar) pode conter um número elevado de pássaros molhados.

O sistema acima é o mais praticado pelos criadores; em um local diferente daquele da área de criação (isto para evitar esta troca brusca de temperatura e de umidade, sempre contraproducentes para todos os pássaros de uma criação: perigo da “falsa-muda” etc.).

Outro sistema para secagem de pássaros é usado uma fonte de calor (estufa elétrica etc) se coloca no meio da sala e, em volta se coloca a gaiola de exposição ou outra (bem limpa, desinfetada e sem arames enferrujados), recoberta em todos os lados (exceto aquela da fonte de calor) por uma flanela ou outro tecido que retenha o calor. Convém se colocar um termômetro dentro desta gaiola recoberta e, aproximando-se ou afastando-se a gaiola da fonte de calor se mantém a temperatura por volta de 28 a 300 C.

É necessário evitar-se uma secagem muito rápida (o que significa deixar-se a gaiola contendo os pássaros molhados a uma distância muito próxima da fonte de calor), ou seja, um calor excessivo que facilitaria uma plumagem desarrumada e antiestéticos frisos (para as raças de plumagem lisa) que podem perdurar por várias semanas: ao contrário, uma secagem muito lenta (gaiola muito distante da fonte de calor) coloca em perigo o pássaro que, pela queda de temperatura pode ser acometido de todas as complicações que se pode facilmente imaginar.


A manipulação dos pássaros:

Como já foi visto, para ter-se prática é melhor adestrar-se lavando pássaros que não irão ser expostos. Quando se obtiver bons resultados com estes, o criador poderá então lavar manualmente os pássaros que deverão ir para o concurso ou exposição. Os canhotos seguram o pássaro com a mão direita; a maioria, os destros, seguram com a mão esquerda, delicadamente, mantendo o polegar e o indicador em volta do pescoço, sobre o ombro, no sentido de evitar que a cabeça possa sair, com conseqüente fuga.

No primeiro recipiente coloca-se água morna com um pouco de shampoo; emerge-se o pincel de barba ou escova de dente e, delicadamente, manejando o pássaro na mão, se esfrega toda a plumagem sempre na direção cabeça-cauda (ou seja, na direção da pena e NUNCA ao contrário).

Pode também lavar em água morna e corrente, saindo apenas um filete é mais rápido e higiênico. Para toda a lavagem é preferível usar a água sem cloro ou água da caixa porque contém menos cloro, o ideal seria água de chuva.

Com um bastonete, embebido em água com shampoo, limpa-se a cabeça, face e pescoço do pássaro, tendo-se cuidado para que a água não atinja o bico ou os olhos (mesmo um baby-shampoo irrita os delicados olhos dos pássaros). Colocar bem a cauda na água com shampoo e lavar, junto as asas mantidas abertas, com o pincel de barba ou escova de dente macia.

Primeiramente se lava a cabeça, a nuca, depois o dorso, os ombros, as asas (as asas são abertas e colocadas entre o indicador e o polegar da mão esquerda ou da direita quando se é canhoto e, com a outra mão, através do pincel de barbear, se lavam as asas, sobretudo nas extremidades onde há mais sujeiras), o uropígio e a cauda. Depois, delicadamente, se coloca o pássaro com o ventre para cima e, sempre seguindo a direção as plumagem (cabeça-cauda), são lavadas as partes inferiores, começando pela face, pescoço, peito, abdômen, subcauda e a raiz da parte inferior da cauda.

Porém, para os exemplares mais irrequietos, deve-se lavar inicialmente o corpo, deixando-se por último a cabeça; deste modo o pássaro ficará mais trnaqüilo e não se debaterá durante a lavagem da cabeça.

Nenhum pássaro gosta de ser colocado de “barriga pra cima” e, sobretudo os mais irrequietos, debatendo-se, podem fugir da mão; porém é possível controlar-se seus movimentos colocando-se o polegar e o indicador (formando um pequeno anel) entre a cabeça e o ombro, controlando o seu fechamento para evitar o seu fechamento para evitar a saída da cabeça, porém evitando-se apertar muito para não sufoca-lo; com o dedo mínimo se pode também manter-se a subcauda. Adquirida um pouco de experiência é possível lavar bem as partes inferiores circulando o pássaro uma primeira vez sobre o flanco que será voltado com o dorso para o alto.


Como lavar a cabeça e o topete:

Após imergir-se todo o corpo no primeiro recipiente (água +shampoo) se faz uma posterior lavagem de “imersão”.

A cabeça, como já foi dito, através dos bastonetes (“cotton-styikes” ou “cotton-wool”) é acuradamente lavada (evitando olhos e narinas) na fronte, vértice, occipital, nuca, sombrancelhas, coberturas auriculares, face (zigoma), bigodes e pescoço.

Nos exemplares com topete (tipo GLOSTER COM TOPETE, CREST) etc.) arruma-se delicadamente as penas, a partir do centro do topete (“coroa”) ajustando-as e, com a extremidade do bastonete embebido em água e shampoo, esfregar na direção da pena, estando muito atento para não arrancar nenhuma pena durante a operação.

A esta altura, passando-se delicadamente um dedo da mão sobre a plumagem molhada, sempre em direção da cabeça-cauda, faz-se escorrer a maior quantidade de água e shampoo. O pincel de barbear (ou ainda melhor, utilizandfo-se um outr pincel, exclusivamente para esta operação) precedentemente utilizado, em um recipiente contendo água pura colocada à parte, é bem lavado e espremido; depois passa-se sobre sabão neutro e depois é molhado; depois repassa-se sobre toda sobre toda a plumagem do corpo do pássaro do mesmo modo já descrito.

Se o pássaro não estava muito sujo, a utilização de sabão neutro pode ser evitada.


O reenxague:

Após o ensaboamento deve-se fazer o reenxuguo do pássaro. Esta operação é importante na lavagem com shampoo, porque cada traço de sabão deve ser removido para se obter um perfeito resultado final.

Na segunda xícara, contendo água pura morna (cerca de 400 C), se imerge todo o corpo do pássaro (obviamente com exceção da cabeça); se abre as asas e a cauda; através da outra mão (com ou sem esponja) se recolhe água pura e se joga delicadamente, escorrendo sobre a cabeça do pássaro (esta operação deve ser feita antes de reenxaguar o corpo, porque a água está com pouco ou sem nenhum sabão; se ao contrário, se lava a cabeça por último, a água ensaboada pode entrar nos olhos provocando ardor) mais vezes (estando bem atento a não atingir as penas do topete, quando o pássaro possui); depois se lava toda plumagem restante (com mais reenxaguos e renovando a água a cada reenxague).

Feito isso, passando delicadamente o dedo sobre a plumagem consegue-se fazer escorrendo maiôs quantidade de água das penas.

Na terceira xícara é colocada água morna na qual é adicionado: ou uma colher das de café de GLICERINA; ou uma colher das de café de um bom VINAGRE de maçã ou uva.

A GLICERINA favorece a formação de uma plumagem elástica, muito macia, sedosa, vaporosa e mais cheia e é, assim, indicada para aqueles pássaros que devem exibir este tipo de plumagem (ex: NORWICH, GLOSTER, FRISADOS etc). Pode-se juntar à glicerina algumas gotas de limão que neutralizam traços de sabão.

O VINAGRE, ao contrário, favorece uma plumagem brilhante e aderente; de tal modo é indicado para exemplares cujo standard prevê este tipo de plumagem (ex: SCOTCH, BOSSU, HOSO, PERIQUITOS ONDULADOS, espécies indígenas e exóticas de “tipo silvestre” etc.). Utiliza-se uma colherinha de glicerina (com 20 gotas de limão) ou de vinagre para cada litro de água.
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Robert Hebert

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